Pokertalks com Paulo Moraes: Percurso no poker, rotina de grind e estilo de vida profissional (Parte I)
10/03/2026
Percurso no poker, rotina de grind e estilo de vida profissional
O poker profissional constrói-se longe dos holofotes. Neste Poker Talks com Paulo Moraes, jogador da Polarize Poker, partilho como comecei no poker, como organizo a minha rotina diária de grind e a importância do equilíbrio entre estudo, exercício físico e alimentação para manter performance a longo prazo.
Como comecei o meu percurso no poker
Conheci o poker em 2017, a jogar com os meus primos na casa da minha avó, apenas por diversão. No entanto, lembro-me perfeitamente de um deles mencionar que era possível tirar uma renda extra com o poker, porque tinha um amigo que já o fazia.
Naquela altura, eu estava à procura de algo que realmente gostasse de fazer, porque trabalhava num emprego que não me satisfazia. No mesmo dia em que ouvi isso, fui pesquisar mais a fundo e acabei por encontrar um documentário da ESPN que mostrava o poker de forma técnica e profissional.
Foi um clique imediato. No dia seguinte, criei conta na PokerStars, registei-me noutras salas e comecei logo a procurar software, conteúdos e formas de estudar. A partir desse momento, decidi dedicar-me seriamente a fazer do poker a minha profissão.
A minha rotina num dia de grind
A minha rotina diária é bastante estruturada. Primeiramente, acordo e tomo o pequeno-almoço. Depois trato de toda a parte administrativa: atualização das bancas, colocação de fundos nas salas quando necessário e envios para a Polarize.
Por volta das 9h da manhã faço exercício físico. Alterno entre corrida e musculação, dependendo do dia. Em seguida, às 10h30, inicio o meu warm-up, que é maioritariamente composto pelos drills da Polarize Poker.
A partir daí, a rotina varia conforme a agenda. Há dias em que dou aulas, outros em que recebo aulas, faço warm-ups com a minha pool ou estudo sozinho. Quando estudo individualmente, revejo mãos do dia anterior, com foco especial em pré-flop, PKOs e spots de FT.
Depois almoço, tiro uma soneca curta e começo o grind por volta das 13h30. Registo torneios até cerca das 20h, sendo esses os últimos horários relevantes no Brasil. O grind costuma terminar entre as 21h e as 22h, embora, pontualmente, possa estender-se até à meia-noite.
No final do dia faço cooldown, relaxo e preparo-me para o dia seguinte.
Exercício físico e alimentação no poker profissional
Dou bastante importância ao exercício físico. No entanto, tento controlar a intensidade. O objetivo é colocar o corpo em desconforto moderado, mas sem chegar a um ponto de exaustão que comprometa a energia para o grind.
Mais importante do que intensidade extrema é a constância. Praticamente todos os dias em que jogo, treino antes da sessão. Isso faz uma diferença enorme na clareza mental.
Em relação à alimentação, sigo as orientações de profissionais de nutrição. O meu foco é manter uma alimentação saudável, leve e funcional. Evito refeições pesadas que provoquem sonolência e opto por comer com maior frequência, em porções menores.
Dessa forma, mantenho energia estável, evito fome durante o grind e não fico com sensação de peso, o que impacta diretamente o meu humor e a qualidade das decisões.
Poker live em 2026
Se tudo correr bem, pretendo jogar o WSOPE em Praga este ano. É um objetivo que tenho em mente e que encaixa bem no meu planeamento.
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